Paralisação de professores deixa 1,5 milhão de alunos sem aulas
Estudantes das redes públicas municipal e estadual encontraram as escolas de portas fechadas ontem. O motivo foi a paralisação nacional de professores, que deixou 1,5 milhão de alunos sem aulas na Bahia. Em Salvador, cerca de 50 pessoas segundo a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET) protestaram entre 9h e 13h na Praça da Piedade, para chamar a atenção da sociedade civil quanto à urgência na definição de um piso salarial para a categoria. Desde 2006, um projeto de lei que define o valor mínimo de salário tramita no Congresso Nacional. Por causa disso, mais uma vez a categoria pressionou os parlamentares. Apesar da mobilização, por enquanto sindicalistas negam a possibilidade de greve.
A decisão de cruzar os braços e realizar apitaço em praça pública, com faixas e carro de som, partiu da orientação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), apoiada localmente pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB Sindicato). "É uma manifestação nacional que envolve professores de todo o país", explicou Sérgio Carneiro, professor e um dos diretores do sindicato. Segundo a diretoria do sindicato, no mês passado, uma comissão da CNTE se reuniu com os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT SP), e do Senado, Garibaldi Alves Filho (PMDB RN). Os dois asseguraram que agilizariam a tramitação do projeto. O documento define o valor mínimo de R$950 para os docentes.
Pauta Os protestos foram anunciados pela imprensa e nas salas de aula. Na última quarta feira, professores reuniram se em assembléia. Após definirem as prioridades da pauta de reivindicações, seguiram para a Secretaria de Administração do Estado (Saeb), no Centro Administrativo da Bahia (CAB) e entregaram o documento ao superintendente de Recursos Humanos do órgão, Adriano Tambone. Na manhã de ontem, eles participaram de uma reunião no Colégio Central, em Nazaré. Um dos objetivos era discutir o déficit de professores, um dos itens prioritários da pauta. O número pode superar os 1.200, segundo o sindicato.
A categoria também pleiteia que o reajuste aconteça a partir da data base do grupo, em janeiro, e não em março como propõe o governo. Eles reivindicam ainda a ampliação do auxílio alimentação para todos os docentes e não somente para profissionais que ensinam em cidades com população acima de 50 mil habitantes. Outro item da pauta é a permanência dos 20% para a relação interclasse, ou seja, garantia do percentual para os professores que migram de uma série para outra. (CA)
Pais apóiam protestos
Alguns dos familiares de alunos da rede pública de ensino acreditam que o protesto dos professores tenha sido justo. A dona de casa Teresa Cristina da Silva, 45 anos, mãe de dois alunos da rede estadual de ensino, diz que a paralisação não foi surpresa e acha que os professores merecem mais respeito. "Eles estão reclamando seu dinheiro. Recebem pouco mesmo". Já a estudante Sônia Oliveira Santos, 20, aluna do Colégio Estadual Luiz Viana Filho, em Brotas, concorda com o protesto, mas receia o prejuízo ao final do ano. "Vou prestar vestibular para medicina ou direito, e vou fazer o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) também. Não podemos perder conteúdo", diz a estudante, que já se sentiu prejudicada com as greves dos docentes no ano passado.
A categoria realizará nova assembléia no dia 2 de abril. Dados da Secretaria Estadual da Educação (SEC) apontam que 1,350 milhão de alunos estão matriculados na rede pública estadual em toda a Bahia. Na rede municipal são 160 mil em Salvador. Na rede estadual, lecionam 108 mil professores. Na rede municipal de ensino, em Salvador, são cinco mil.
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